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POPULAÇÃO GOIANA

Idosos serão o dobro até 2030

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dados populacaoFonte: Jornal O Popular

Goiás deve se preparar para ter, até 2030, quase o dobro da população idosa que tinha em 2010. Neste período, o número de pessoas com mais de 64 anos deve saltar de 6,2% para 11,4% da população total, enquanto a faixa de crianças e pessoas em idade ativa deve cair. Por isso, é preciso aproveitar o período atual de bônus demográfico, ou seja, com crescimento da população ativa, para garantir a sustentabilidade futura desse maior volume de pessoas que dependerão da previdência e do sistema de saúde.

Os dados são do estudo Dinâmica populacional: características e discrepâncias do bônus demográfico em Goiás, divulgado ontem pelo Instituto Mauro Borges (IMB), ligado à Secretaria de Estado de Gestão e Planejamento (Segplan). Números do IBGE confirmam o aumento da população com mais de 64 anos e em idade ativa (de 15 a 64 anos) em Goiás desde 1980.

Porém, o economista Marcos Arriel, gerente de Estudos Sócio Econômicos e Especiais do IMB-Segplan, informa que essa população ativa deve começar a decrescer depois do ano 2022. Ao mesmo tempo, haverá um aumento da faixa com 64 anos ou mais. Ele alerta que o resultado disso será mais gastos com previdência, saúde e lazer para essa população, que terá outra dinâmica de vida.

Bônus demográfico

Mas Marcos Arriel lembra que ainda temos um bom período de bônus demográfico, que deve ser aproveitado para aumentar a geração de riquezas. Segundo ele, isso será possível através de políticas sociais eficientes e boa gestão dos fundos de aposentadoria que garantam a sustentabilidade dessas pessoas na frente.

As regiões com maior participação de pessoas em idade ativa, como Goiânia, Catalão e o Sudoeste Goiano, vivem um bom momento, com uma maior população em condições de se inserir no mercado de trabalho, gerar renda para a sociedade e impulsionar a economia.

Já as microrregiões da Chapada dos Veadeiros e Vão do Paranã, no Nordeste do Estado, têm uma baixa participação da população nessa idade do bônus demográfico.

O gerente do IMB explica que a baixa oportunidade de empregos nessas regiões leva boa parte da população em idade ativa a se deslocar para outros locais em busca de trabalho e renda. “O Entorno de Brasília, por exemplo, que registra um índice elevado de crianças, vai demorar mais a passar por essa fase do bônus demográfico”, destaca.

Um grande volume da população em idade de aposentadoria e um número pequeno de pessoas para bancar essa faixa pode até causar uma falência futura do sistema de previdência social do País e uma sobrecarga no sistema de saúde. Porém, o trabalhador também deve se preparar melhor para a aposentadoria, fazendo poupança para sustentar melhor sua velhice.

Aos 35 anos de idade, a micro empresária Denise Morais de Souza Batista nunca contribuiu para a previdência social e diz que nunca ouviu falar em previdência privada. Hoje, ela está mais preocupada com o futuro, pois também não tem poupança, e planeja iniciar a contribuição no próximo ano para ter como se sustentar na velhice.

Aos 25 anos, a manicure Josiany de Souza Araújo não contribui com a previdência há quatro anos. Ela garante que já está pensando na aposentadoria e também quer começar a contribuir em breve. “Hoje, sei que não tenho nenhuma segurança quando me aposentar”, reconhece.

Para o economista e professor Sandro Monsueto, especialista em Mercado de Trabalho, a maioria dos trabalhadores só gasta visando o curto e médio prazos, sem pensar no futuro, quando não poderá mais trabalhar, principalmente quando são jovens. Alguns ganham muito pouco e não conseguem poupar, ficando na dependência do INSS.

Além disso, a maioria dos trabalhadores com carteira assinada não observa qual deve ser o valor de sua aposentadoria e acaba tendo a renda reduzida. Outros que vivem na informalidade nem se preocupam em contribuir com a previdência visando uma aposentadoria na velhice.Para Sandro Monsueto, a situação se agrava porque o brasileiro não tem a cultura de poupar e nem se preocupa com a possibilidade de perda do emprego no futuro. Porém, ele acredita que isso já começa a mudar.