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Previdência é opção para estudo superior dos filhos

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Roberta Scrivano Paula Costim, de 17 anos, está há seis meses na cidade de Torquay, na Inglaterra. A catarinense foi enviada pelos pais à Europa para estudar e não esconde a euforia de, tão jovem, ter conquistado a independência de morar sozinha. "No começo, não sabia bem a importância de sair do País para estudar. Só queria sair da minha cidade e ficar o máximo de tempo possível fora", admite Paula.

A jovem está se preparando, em uma espécie de cursinho pré-vestibular oferecido pela empresa de intercâmbio EF, para entrar na faculdade em julho deste ano. Seu retorno ao Brasil deve ser em, no mínimo, quatro anos.

A experiência fora do País está programada há muito tempo. Desde o nascimento da jovem, os pais Ivan e Eliane Costim, planejam a viagem, organizando as finanças com aplicações fixas mensais objetivando à graduação da filha. "Este caso comprova a importância de haver um planejamento financeiro para o longo prazo", diz Silvio Paixão, professor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi).

A elaboração de um planejamento desse tipo pode ser conservadora, como fez a família Costim, por meio da adesão a um plano de previdência para menores, por exemplo. Bancos de varejo, como Santander, HSBC, Bradesco, Banco do Brasil e Itaú Unibanco, oferecem o produto.

Dados da Federação Nacional da Previdência Privada e Vida (Fenaprevi) mostram que a preocupação do brasileiro com o futuro dos filhos está em ascensão. Em 2004, o nível de captação de planos de previdência para menores era de R$ 628 milhões. Em 2009, o montante saltou para R$ 3,3 bilhões.

"Percebemos que há cada vez mais interesse em planejar o longo prazo como, por exemplo, a graduação do filho recém-nascido", comenta Edson Lara, diretor de produtos do HSBC.

Também há como poupar pensando na maioridade dos filhos de uma maneira um pouco mais agressiva. Ou seja, além da previdência privada, o pai pode destinar um porcentual dos recursos para aplicações em ações e outros produtos de risco. Essa opção, se bem administrada, demonstra resultados mais significativos, segundo Rogério Bastos, da consultoria FinPlan.

Essa maneira, porém, demanda mais tempo e atenção dos pais na administração dos recursos. Isso porque o mercado de ações é volátil e exige acompanhamento de perto.

Antônio Carlos Monteiro, gerente de um hotel em Salvador, na Bahia, conta que, quando sua filha Cleide completou cinco anos, ele fez um plano de previdência privada para ela e, simultaneamente, iniciou aportes na bolsa de valores. O objetivo do baiano era garantir a formação superior da filha.

"Prestei vestibular no fim do ano em algumas faculdades e passei justamente na gratuita", diz Cleide, que hoje tem 19 anos. Alegre, a moça diz que, com a renda mensal que recebe da previdência (cerca de R$ 2 mil), conseguiu financiar um automóvel e ainda sobra uma verba, que ela está reaplicando.

"Fiz um novo plano de previdência, pensando em minha aposentadoria", conta, mostrando que aprendeu a importância do planejamento com o pai.

Há ainda a opção de fazer um plano de previdência mesclado com investimentos em ações, no próprio banco de varejo. O Santander é um dos que oferecem o serviço. "Dessa forma, porém, você está sujeito a colher os frutos que o banco plantou, já que o aporte em ações será administrado por ele", diz Paixão, da Fipecafi.[2]

Eduardo Jurcevic, superintendente de Investimentos do Grupo Santander Brasil, indica o plano mesclado com ações apenas para aqueles que iniciam os investimentos quando os filhos têm até cinco anos. "Como se trata de um investimento de período longo, recomendo um pouco de risco", diz.