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Se não fosse tão trágico, seria cômico!

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Cada receita que "valha-me Deus" (água de coco, soro, água e mais água, melão, suco de caju, água de novo, chá de picão, e por aí vai…), e falam com tanta veemência que a gente até acredita! Fazia exame, as plaquetas baixas! Tomava soro, fazia exame, as plaquetas baixavam mais ainda; mais exames, mais plaquetas baixas (não me perguntem o que são plaquetas e para que servem, pois não saberia responder). Foram tantos hemogramas e soros endovenosos que meus braços, coitados, mas pareciam queijo suíço de tantos buracos de agulhas.

Também crescí ouvindo dizer que homem que é homem não chora! Pois acreditem: já não fazem mais homens como antigamente… Experimente contrair a dengue! Chorei sim e não tenho vergonha de dizer! Encontrei não foi um nem dois, foram vários, nos corredores dos hospitais por onde fui obrigado a passar, chorando que nem criança quando pede colo, talvez pela dor ou de raiva causada pela inércia nos atendimentos.

Pois é, a coisa é séria, não podemos brincar! Segundo as autoridades sanitárias, o problema em Goiânia já é considerado epidemia e as estatísticas apresentaram uma variação porcentual de mais de 600% de casos notificados e confirmados nos meses de janeiro-fevereiro deste ano, na comparação com o mesmo período em 2009. E euzinho faço parte dessa estatística! Não estão aqui computados os casos não notificados; ou seja, tem gente que não procura assistência médica e resolve arriscar a própria sorte.

Mas o que tem a ver a dengue com o seguro ou o seguro com a dengue?  Vou tentar explicar sob a ótica de minha singela observação. Se optarmos por proteger o nosso patrimônio, a nossa vida e dos nossos familiares, fazemos um bom seguro para garantir prováveis perdas no futuro, ficamos de olho no ladrão, trancamos bem as portas e procuramos fazer tudo para evitar acidentes. Com a dengue não é diferente: devemos fazer a nossa parte, limpando bem as nossas casas de qualquer foco que possa servir de criadouro do mosquito (ou mosquita). Mas isso só não basta! Devemos também ficar de olho nos vizinhos e nas autoridades de saúde, se eles e elas realmente estão fazendo a parte que lhes compete, e cobrar! Pois a picada do mosquito não dói! Mas, o que vem depois, sai de baixo!!!

¹(Aedes aegypti é a nomenclatura taxonômica para o mosquito que é popularmente conhecido como mosquito da dengue, se encontra ativo e pica durante o dia. É uma espécie de mosquito da família Culicidae, proveniente da África, atualmente distribuído por quase todo o mundo, com ocorrência nas regiões tropicais e subtropicais, sendo dependente da concentração humana no local para se estabelecer. O mosquito está bem adaptado a zonas urbanas, mais precisamente ao domicílio humano, onde consegue reproduzir-se e pôr os seus ovos em pequenas quantidades de água limpa, isto é, pobres em matéria orgânica em decomposição e sais, o que as concede características ácidas, que preferivelmente estejam sombreadas e no peri domicílio. É vetor de doenças graves como o dengue e a febre amarela e, por isso mesmo, o controle das suas populações é considerado assunto de saúde pública.)

Pedro da Silva Pita é Consultor Contábil e Fiscal do SINCOR-GO