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O novo jeito de planejar a carreira

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VOCÊ TRABALHA POR QUÊ?

No ano passado, o professor Antônio Del Maestro, da UFMG, refez uma pesquisa, inicialmente realizada em 2005, sobre a relação entre trabalho e vida pessoal com 1 500 executivos. Na primeira edição, o estudo mostrava que, mesmo com práticas de gestão muito modernas nas organizações, salários altos e acesso a tecnologias de ponta, os profi ssionais estavam cada vez mais insatisfeitos.

Em 2009, o levantamento foi refeito e os dados devem sair neste ano. Mas, de acordo com o professor, já foi possível notar que a preocupação em combinar trabalho e estilo de vida aumentou. ?Os profi ssionais estão mais conscientes e preparados para colocar isso em prática?, diz Del Maestro. As próprias empresas começaram a perceber que, para reter os melhores profi ssionais, é necessário oferecer mais que bônus polpudos, uma agenda de treinamentos intensa ou garantia de crescimento rápido. A Natura é um exemplo disso. Para escolher a turma de 35 trainees que ingressaram na companhia no mês passado, a fabricante de cosméticos fez um processo de seleção sem divulgar seu nome. Até um estágio avançado do recrutamento, os candidatos só conheciam a missão e os valores da empresa.

O objetivo era selecionar pessoas que se identifi cassem com eles. Os fi ltros usuais ? curso de graduação, nome da faculdade e domínio de idiomas ? foram eliminados. O número de inscritos caiu de 40 000 para 12 000. ?Queremos que a empresa contribua para a mudança do planeta e, para isso, precisamos de gestores que também tenham esta inquietação?, diz Marcelo Cardoso, vice-presidente de desenvolvimento e sustentabilidade da Natura. ?Com este modelo novo de seleção, conseguimos identifi car isso com mais clareza nos candidatos.? Um dos selecionados foi o biólogo Bruno Luiz de Oliveira, de 23 anos.

Apesar da pouca experiência, Bruno já traz na bagagem essa nova maneira de pensar a carreira. Em primeiro lugar, ele escolheu a Natura pelos valores da companhia. Em segundo lugar, o trainee acredita que a Natura oferece a ele a possibilidade de realizar um desafi o pessoal: ajudar a empresa a estreitar o relacionamento com as universidades. ?Quero contribuir com o negócio e, de alguma forma, melhorar a vida das pessoas?, diz. A história de Bruno revela ainda uma outra mudança no mercado de trabalho. As empresas passaram a valorizar profi ssionais que antes só tinham espaço no meio acadêmico, como biólogos, físicos e antropólogos.

Veja Matéria na Integra no site: VOCE/SA

Fonte: VOCE/SA